Grupo Espírita da Bênção

O Espiritismo e a Renovação Social

“O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da Humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto, do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados; se viera mais cedo, teria esbarrado em obstáculos insuperáveis; houvera inevitavelmente sucumbido, porque, satisfeitos com o que tinham, os homens ainda não sentiriam falta do que ele lhes traz. Hoje, nascido com as ideias que fermentam, encontra preparado o terreno para recebe-lo; os espíritos cansados da dúvida e da incerteza, horrorizados com o abismo que se lhes abre à frente, o acolhem como âncora de salvação e consolação suprema.

Grande, por certo, é ainda o número dos retardatários; mas, que podem eles contra a onda que se alteia, senão atirar-lhe algumas pedras? Essa onda é a geração que surge, ao passo que eles se somem com a geração que vai desaparecendo todos os dias a passos largos. Até lá, porém, eles defenderão palmo a palmo o terreno; haverá, portanto, uma luta inevitável, mas luta desigual, porque é a do passado decrépito, a sair em frangalhos, contra o futuro juvenil; será a luta da estagnação contra o progresso, da criatura contra a vontade do Criador, uma vez que chegados são os tempos por ele determinados.”

(Allan Kardec, A Gênese, Cap. XVIII, Itens 25 e 26)

Ao observador atento e culto, que aprende com a História mas igualmente com os fundamentos inamovíveis das divinas revelações – referimo-nos àqueles que sabem extrair dos textos sagrados o seu conteúdo de moral e de genuína espiritualidade, ainda que não dominem completamente os temas e nem sempre sejam religiosos no sentido tradicional –, repetimos, para esses, o progresso social é um fenômeno natural que se processa no tempo e pelas circunstâncias, amadurecendo o senso humano dos povos e de seus mais destacados cidadãos. Nunca a religião conseguiu estabelecer a harmonia política, porque em lançando mão dos fundamentos religiosos, notadamente de Jesus e sua Doutrina, homens ambiciosos e inescrupulosos, ávidos de comando e poder, fizeram sofrer populações e viciaram as fontes dadivosas da vera religião com suas estratégias levianas e zombadoras de Deus.

O progresso social é apanágio das lutas incontáveis entre ditadores e cruéis representantes, eivados de egoísmo e de orgulho por distintivo moral, e a população comandada, geralmente passiva e em seguida revoltada com os desmandos e injustiças sociais. Desse confronto, que nos remete à Lei de Destruição, nasce o senso moral, que aponta o proveito entre as partes, porque a sagacidade e a ambição, em essência, predispõem ao discernimento e à coragem realizadora sem as quais o mundo dormiria estanque entre domínio opressor e escravização masoquista. Do sofrimento dos povos, contando homens, mulheres, crianças e velhos, desenvolve-se a resistência e a fé, a humildade e o sentimento solidário, sem os quais de nada valeriam as expiações vivenciadas e todas as marcas que libertam espiritualmente os que verdadeiramente aprendem com esse cativeiro social. É claro que os sádicos senhores que dominam os oprimidos são os que mais sofrerão o jugo do mecanismo escravagista que impõem aos semelhantes, já que operam coletivamente e suas culpas morais extrapolam os delitos comuns, cometidos entre uma pessoa e outra apenas. Todavia, são mecanismos depuradores, porque mesmo assumindo crimes tão hediondos e contra populações inteiras, após o “batismo” do Evangelho de Jesus que se tornou universal na Terra, mesmo não sendo adotado por religião de pessoas e povos, esses cruéis dominadores conhecerão o ostracismo e a humilhação, o escárnio e a completa desativação de sua loucura pelo poder, até ao ponto de converter essa “força cega e perversa” em vocação para servir, sem se importar consigo próprio. É assim que surgem os grandes líderes e os grandes missionários que abrem caminhos de progresso a todos. E é por essa mecânica de Lei de Causa e Efeito que as gentes e os povos se qualificam moralmente, para secundarem os legítimos servidores do progresso, pois a obra de renovação social é trabalho de liderança e de coadjuvação popular. Em todo o processo o tempo é condição inarredável, considerando que não se aproveita fruto verde, mas regala-se com o fruto maduro.

Se a Terra é um palco de guerras civis e de nação contra nação, e os homens utilizaram até mesmo as fontes reveladoras da Revelação Espiritual para se matarem e competirem, embora alguns líderes falsos e ainda incapazes de secundarem os genuínos planos de Jesus para o mundo ameacem se guerrear, colocando povo contra povo e nação contra nação, por motivos meramente vaidosos e de ambição, chegou o tempo em que o “direito” é a força, pois o relativo amadurecimento moral da família humana decidirá pela diplomacia e pela justiça social. Gradativamente, nações modificarão suas disposições econômicas e políticas, por força da consciência moral globalizada de seus habitantes, seja nos processos eletivos e de convivência, seja por efeito da massiva reencarnação de Espíritos mais lúcidos e mais vocacionados aos bons costumes, avessos ao derramamento de sangue e à escravização das sociedades aos modelos exploradores e destruidores dos valores humanos.

Este é o cenário em que o Espiritismo, como promessa de Jesus aos homens, em sua feição de Consolador terá papel de destaque, não como religião comandada por homens ainda tendenciosos e tocados de vaidade, mas como fundamento da Regeneração, que se caracteriza por consciência desperta e ativa no meio social, aproximando os homens e dotando-os de um arbítrio discernido e eminentemente moral. Foi por isso que Kardec afirmou que não cabe ao Espiritismo “criar a renovação social”, pois os princípios espíritas, que libertam e reeditam em pureza e beleza a moral do Evangelho de Jesus, será a força capaz de inspirar e suprir, por lógica evolutiva e consciência espiritual, todos os esforços de homens e mulheres que se destacarem no processo de humanização e justiça das sociedades terrenas.

Ao Espiritismo, em sua dinâmica expressão de Verdade e Amor, cabe o serviço de inspiração e fortalecimento das almas conscientes de Deus e de seu dever de amor e solidariedade para com o próximo!

YVONNE A. PEREIRA

Mário Campos, MG, 08 de junho de 2020

(Mensagem psicografada pelo médium Wagner G. Paixão)


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